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24-06-2010 - 14:23

Voleibol do FC Amares dá os primeiros passos


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O FC Amares acaba de criar uma equipa de voleibol feminina que irá competir, já na época 2010/11, nos nacionais da modalidade. Com dois escalões – seniores e juniores – o voleibol terá mesmo uma secção específica no clube, sendo que nos próximos dias serão eleitos dois directores para comandar a modalidade.

Mário Bento é o técnico principal, faltando ainda designar um adjunto. O futuro está já também a ser preparado, com algumas das praticantes seniores a estudarem a possibilidade de fazer o primeiro nível do curso de treinador, a fim de poderem orientar escalões de ‘mini-voleibol’ e ‘gira-volei’ dentro de uma ou duas épocas.

Neste momento, os treinos estão abertos a todas as interessadas em praticar a modalidade. "Começámos a treinar em Novembro passado, fazendo dois treinos por semana, por impossibilidade de realizar mais. O ideal, nesta fase, seria, no mínimo, três treinos por semana. As próprias jogadoras gostariam de treinar mais, mas neste momento é o que temos", começou por descrever o técnico Mário Bento, em declarações ao Terras do Homem.

Durante os últimos meses registou-se uma parceria do FC Amares com a Escola Secundária de Amares, que consistia na utilização pavilhão da Secundária amarense para a realização dos treinos. Contudo, na época que se avizinha, o objectivo será outro. "Tentaremos iniciar os treinos na EB 2,3, uma vez que o pavilhão é mais amplo e a disponibilidade permite a realização de um maior número de treinos semanais", esclareceu o treinador do voleibol feminino do FC Amares.

 

 

Modalidade em crescimento

 

 

Depois de um primeiro ano, em que a meta passava por divulgar a modalidade junto das interessadas do concelho, este ano marcará o arranque, em competição oficial das formações de voleibol do clube. "Esta época teremos duas equipas já federadas, com a formação sénior a disputar a II Divisão Nacional e a equipa júnior a competir na única divisão nacional", adiantou Mário Bento, assegurando que "também nos masculinos haverá uma equipa de voleibol inscrita, pelo FC Amares". "Este ano sentiram os mesmos problemas que nós [formação feminina], mas começaram já, recentemente, os treinos, com vista à disputa da próxima época", esclareceu.

No que diz respeito à competição feminina, Mário Bento mostra-se satisfeito com o número de atletas disponíveis, embora lamente que ainda haja algumas falhas aos treinos. "Até ao momento tivemos sempre uma frequência de 18 a 20 atletas nos treinos de juniores, enquanto na equipa sénior temos tido a mesma frequência. Ao todo, nos dois escalões deveremos ter perto de 50 atletas interessadas em participar no Voleibol do FC Amares", desvendou, garantindo que, para o ano, o objectivo passa por "arrancar também com uma equipa de ‘mini-voleibol’ e com um centro de gira-volei".

De acordo com o técnico da formação feminina de Voleibol do FC Amares, está é a primeira vez que o clube aposta nesta modalidade, esperando, com isso, abrir novas portas ao aparecimento e fomento de novos desportos no concelho amarense. "Esta é a primeira vez que o clube tem uma equipa de voleibol. Penso, inclusive, que será a primeira vez que o FC Amares aposta numa modalidade extra-futebol", adiantou Mário Bento.

 

 

Objectivos e aspirações

 

 

Com os pés "bem assentes na terra" e demonstrando uma boa dose de realismo, o técnico amarense começa por salientar que o próximo ano servirá, essencialmente, para adquiri ritmo e experiência. A curto prazo, acredita numa subida à divisão A2, mas mais dificilmente à A1. "A próxima época terá como objectivo, essencialmente, aquisição e acumulação de experiência, por parte atletas, uma vez que é a primeira vez que vão competir num campeonato oficial", analisou.

"Além disso, faremos todos os possíveis para honrar a camisola do clube e criar uma estrutura mental nas atletas, a parte de um forte ritmo competitivo, para, dentro de dois ou três anos, podermos ombrear com as melhores equipas desta divisão e, quem sabe, aspirar a outros voos", continuou Mário Bento.

Esses voos passarão, muito provavelmente, pela luta com equipas da divisão A2. "Pelo que tenho visto dos valores que dispomos no plantel, existem boas hipóteses de, a curto prazo, podermos lutar pela subida de divisão, que no caso do Voleibol, significa ascender à Divisão A2. Alcançar a primeira divisão nacional, a A1, já será mais complicado, uma vez que as atletas não têm experiencia competitiva", avaliou o técnico, garantindo que "será nesta tónica" que trabalharão durante a próxima época porque, como afirma, "a maioria das atletas está abaixo dos 23 anos de idade" e poderão, "nos próximos anos, com a integração de novos valores, vindos dos escalões de formação, formar um grupo muito interessante e competitivo".

 

 

Valores individuais seguros

 

 

E a nível individual, terá o FC Amares valores seguros, no voleibol feminino, capazes de aspirar a algo mais no futuro? No entender de Mário Bento existem, de facto, algumas jogadoras com capacidades para sonhar mais alto, desde que se empenhem por progredir. "Algumas têm já algum ritmo competitivo porque jogaram voleibol no passado, mas nunca em grandes competições, pelo que não será fácil lutar por objectivos tão ambiciosos. O primeiro ano vai ser muito complicado, teremos que aproveitar ao máximo o primeiro ano para adquirir experiência uma vez que quase todo o plantel é muito novo, quase todas com idades abaixo dos 23, o que significa que têm ainda muita margem de progressão", admitiu o treinador da formação amarense.

"Tenho atletas com muito potencial. Não tenho dúvidas de que, se vierem aos treinos regularmente e trabalharem direito irão dar muitas alegrias ao clube, podendo mesmo vir a alcançar outros patamares, seguindo uma carreira de outro nível. Algumas delas têm potencialidade até para chegarem à selecção dentro de alguns anos", continuou, em tom de aviso, o técnico. Entretanto, algumas atletas já estão mesmo a tirar o curso de treinador para poderem, depois orientar os escalões de formação.

 

 

Direcção aposta numa modalidade com tradição para abertura a outros desportos

 

 

Há alguns meses a trabalhar no clube, Mário Bento tem sentido por parte da direcção vontade apostar na modalidade, facto que levou já à criação de uma secção específica para o voleibol, no seio do clube. Uma aposta que, no futuro, se deverá estender a outros desportos. "Sinto, por parte da direcção, muito empenho nesta modalidade. Acho que esta direcção pretende, de facto, apostar noutros desportos, tentando também abrir o clube à comunidade. Quer abranger uma maior gama de modalidades tendo em vista a atracção de mais gente do concelho que tenham gostos desportivos distintos. Apesar do futebol ser, sem sombra de dúvidas, o desporto que mais gente move, há pessoas que gostariam de praticar e apreciar outros desportos cá no concelho", avaliou o técnico, considerando que "a criação desta modalidade, por parte do FC Amares, pode ser o primeiro passo para colocar as pessoas a gostarem de outras modalidades, para além do futebol". "O FC Amares poderá, por isso, criar novos hábitos e levar as pessoas a apoiarem o seu clube de sempre, noutros desportos", desejou.

De acordo com Mário Bento, "o clube resolveu arrancar pelo feminino, pelo facto das raparigas do concelho não terem uma modalidade para poderem praticar em alta competição". "Além disso, o próprio concelho tem alguma tradição no Voleibol, o que levou a direcção do FC Amares a tomar a iniciativa de alargar o clube a outras modalidades, começando pelo Voleibol".

O concelho até já teve uma equipa masculina a competir na A2, que "entretanto fechou portas, por razões diversas". "Todos os anos, a própria Escola Secundária tem equipas a competir nos campeonatos regionais e nacionais de desporto escolar. Este é mais um passo para afirmar o Voleibol no concelho", considerou o técnico.

Neste momento, no clube, existe já uma secção oficializada e especializada para o Voleibol, tendo sido já adiantado, pelo senhor presidente, que na próxima Assembleia-geral "tomarão posse os dois directores da secção".

 

 

Escasseiam apoios

 

 

Quando questionado sobre o nível de interesse das entidades privadas do concelho de Amares, em apoiar a equipa de Voleibol feminino do FC Amares, Mário Bento não esconde a árdua tarefa que é conseguir cativar investimento numa modalidade nova. "Temos tido alguma dificuldade em juntar as verbas necessárias para a próxima época. Basicamente, as verbas resultam da boa vontade das pessoas que se interessam, por diversas razões, pela modalidade. Talvez devido às dificuldades que o país atravessa, a nível económico, as pessoas não estejam tão dispostas a libertar algum dinheiro", lamentou o técnico, lembrando que "a prática desta modalidade torna-se muito mais dispendiosa que a prática de futebol, para quem compete nos escalões inferiores". "Isto porque a série que iremos disputar incluiu clubes de cidades relativamente longe. As equipas que estão mais próximas são de Braga e Guimarães, sendo que a maioria se concentra na zona do grande Porto. Além disso, existem ainda equipas da Régua e Vila Real. Como se pode ver, existe uma dispersão espacial das equipas muito grande", explicou o treinador amarense.

Apesar de todas estas dificuldades, Mário Bento sente "um forte empenho das atletas". "Neste momento, deslocam-se nas próprias viaturas para os treinos, por exemplo. São atletas responsáveis, que gostam disto e vivem isto. Mas no futuro, se não houver possibilidade de aquisição de uma viatura para as transportar, teremos que garantir verbas para pagar as suas despesas de deslocação", contou.

 

 

"Experiência enriquecedora"

 

 

A capitã de equipa Carina Costa aceitou falar ao Terras do Homem da experiência que tem vivido nesta nova equipa promovida pelo FC Amares e das razões que a levaram a assumir o desafio. Conta esta jovem, de 17 anos, que o Voleibol sempre teve um peso importante na sua vida, no que toca à prática de desporto.

"Voleibol sempre foi um desporto que me cativou imenso, já desde as aulas de educação física na escola. Quando soube que iam criar a equipa resolvi aderir porque, de facto, é o meu desporto favorito", desvendou.

De acordo com Carina Costa, a aprendizagem tem dado os seus frutos, havendo aspectos técnicos e tácticos que precisam de ser assimilados. "A experiência tem sido muito enriquecedora. Este é o primeiro ano em competição e os treinos têm corrido muito bem, temos aprendido muito, quer a nível técnico, quer a nível táctico", analisou a capitã.

"A maioria das atletas é ainda muito jovem, tal como eu, e talvez falte um pouco de maturidade e responsabilidade, nomeadamente porque ainda vai havendo algumas falhas na comparência aos treinos. Mas creio que, com o tempo, isso irá ser corrigido e para o ano será tudo mais profissional", acreditou esta jovem amarense.

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